Para começar eu quero ser jornalista. Sempre quis ter um blog de verdade mas os que eu tive eu não escrevia muito. Agora, na faculdade, meus professores recomendam bastante ter um lugar para escrever, dizer o que você pensa, expor suas ideias. Além disso estava vendo outro dia o blog de um querido amigo e me despertou a vontade de voltar a ter um. Por que não? Quero mostrar as matérias que eu escrevo para as minhas aulas e minhas resenhas. É bom ter opinião pública além da do professor.
Já fiz resenhas de três livros esse período. Mas vou colocar aqui a do livro que eu mais gostei. Tenho um limite de toques então ficou um pouco pequena para o que eu queria escrever. O livro se chama 101 dias em Bagdá e a autora é Asne Seierstad e eu recomendo para qualquer pessoa, querendo ou não ser jornalista. A resenha explica melhor:
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| Capa do livro |
101 dias em três capítulos
Por Maria Alice Roche
Presenciar uma guerra não é fácil. Presenciar uma guerra no Iraque- país muito conservador e, há pouco tempo, comandado por um ditador- é mais complicado do que parece. Estar na guerra antes, durante e depois é considerado um privilégio para jornalistas. Eles passam por qualquer situação para conseguir aquele furo ou aquela história que ninguém viu surgir no meio da multidão apavorada. Mas o medo, a angustia, e, principalmente, a coragem andam juntos dos correspondentes.
Asne Seierstad, norueguesa e já conhecida pelo livro “O livreiro de Cabul”, embarcou nessa aventura um tanto peculiar. Em seu livro “101 dias em Bagdá” conta que foi por vontade própria que resolveu ir ao Iraque em 2003 conhecer a guerra que estava por estourar no país. Já havia coberto outras guerras no Oriente médio e ficou conhecida como correspondente de guerras.
Seu livro é dividido em três capítulos: Antes, Durante e Depois. Conta como foi a sua chegada em Bagdá e o sufoco para conseguir um visto de jornalista. Diferentemente de qualquer outro país, no Iraque os jornalistas são observados o tempo todo e precisam de autorização para visitar cidades, bairros e edifícios; e até para falarem com pessoas nas ruas. Cada um tem seu próprio tradutor designado pelo Ministério da Informação, obviamente controlado pelo governo de Saddam Hussein. Asne primeiramente teve um tradutor que não a ajudava com as suas perguntas pois seguia fielmente as regras do ministério mas depois foi “abençoada” com Aliya que a ajudou a entender muitas vozes iraquianas.
Antes e durante a guerra ninguém falava nada sobre o governo. Todos ficavam calados ou tinham “frases prontas”. Dessa maneira não chegaria a verdade, não iria ouvir o que o povo do Iraque realmente pensava. Um homem lhe disse uma vez antes da guerra explodir: “Ninguém diz a verdade, ninguém. Você pode parar de perguntar.”(p.107) Mas, como uma boa jornalista, ela não parou. Registrou histórias comoventes de iraquianos que queriam sair da cidade mas não podiam; outros que queriam ficar para proteger o seu país; famílias armazenando alimentos e água desesperadamente. São tantas história diferentes e tantos nomes parecidos que perde-se a conta.
Em seu livro conseguimos refletir muito bem sobre a guerra contra os Estados Unidos. Vemos um lado que ninguém mostra tão detalhadamente. Conseguimos entender e até sentir um pouco do medo que se passava naquele país. As pessoas não queriam que acontecesse uma guerra mas ao mesmo momento queriam se libertar do regime. Mas a ditadura era tão forte que nem mesmo o povo conseguiu fazer uma rebelião contra o presidente.
Chega a um momento em que não sabe se fica para cobrir a guerra ou se vai embora com medo. Asne suborna pessoas de alto cargo para poder continuar no país enquanto os outros jornalista estão pagando para irem embora. Não queria perder essa chance. Afinal é uma jornalista. Excepcionalmente uma vez disse a um menino que fazia parte de um escudo humano para voltar para casa. “Afastei-me demais do meu papel de repórter: observar e testemunhar, sem empatia ou emoção.”(p.142) Logo a guerra começaria e milhares de pessoas inocentes morreriam. O seu papel era transmitir o que o Iraque ou os Estados Unidos não deixavam o mundo ver. Correu o risco de usar o telefone via satélite e fazer transmissões de dentro do hotel, mas o seu dever era informar e não podia decepcionar os seus leitores ou espectadores.
Por mais que tenha corrido risco de morte, Asne não deixou de cumprir o seu papel de informante. Seu livro é o que jornalistas do mundo inteiro procuram: um lado diferente da história. Com ajuda da sua fiel tradutora e de seu motorista (Amir) ela encontrou a ambiguidade do regime. Por mais que os súditos de Saddam lutassem por ele, eles lutavam pela liberdade acima de tudo. Depois, mesmo sendo xiita ou sunita, quando finalmente se sentiram libertos gritaram, alguns agradecendo aos americanos outros odiando os mesmos. Mas todos gritavam pela liberdade, ainda que fosse apenas dentro de suas cabeças.
Achei uma experiência incrível. A coragem da autora é impressionante! Ela consegue falar quase que a vida inteira de uma pessoa, só contando a sua história de guerra. É emocionante.
Confesso que gostei tanto assim por que quero ser correspondente internacional e cobrir uma guerra realmente é deixar sua marca no mundo jornalístico. Se tiver a liberdade de escrever pode mostrar ao mundo o que as TVs escondem, às vezes, por “solicitação” de seus governos!
Por mais que os outros livros que fui “solicitada” a ler tenham sido interessantes, achei esse muito melhor por ser um relato real. No final do primeiro capítulo (Antes) você consegue sentir, enquanto lê, que a guerra vai estourar. Quando chega no segundo capítulo (Durante) você ouve os “booms” que são descritos. É tudo tão real. E no Depois você sente o alívio da autora, mas, como o livro é de 2006, você também sabe que a guerra não acabou por ali.
É isso. Não queria ficar fazendo apresentações e falando de mim. Vou escrever sobre as minhas resenhas, matérias, aulas que gostei e o que mais eu achar interessante comentar.
Divirtam-se. ;)
Informações sobre o livro:
101 dias em Bagdá
Editora Record
384 páginas
Asne Seierstad
Outros livros que fiz resenha:
A arte de fazer um jorna diário
Editora Contexto
174 páginas
Ricardo Noblat
Os elementos do jornalismo
sem edição nova no Brasil
293 páginas
Bill Kovach e Tom Rosenstiel

Um comentário:
Prima,
Gostei. Mas tenho uma dica inicial. Hoje, trabalhamos muito com internet/sites, por isso, precisamos pensar como será experiência para o leitor online. E isso é mais do que o texto, também inclui o layout. A fonte em branco, com esse desenho de fundo, dificulta a leitura. ;)
Poste o que você pensa sobre qualquer assunto. Motive debates. E reflexões.
Beijo grande e parabéns! O caminho é longo, mas vale cada passo.
Mari
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